sexta-feira, 24 de maio de 2013

A final da direita e esquerda na UEFA Champions League





Assistindo agora o Jornal da Globo, uma reportagem sobre a final da Liga dos Campeões da UEFA, que acontece hoje 25/05/2013 em Londres no lendário estádio de Wembley, uma coisa me chamou muito atenção.

Na reportagem os times finalistas Bayern de Munique e Borussia Dortmund são apresentados, juntamente com uma análise das condições sociais e econômicas de suas cidades. 

Os times são o reflexo do perfil de suas cidades, o Bayern representa a cidade mais rica, com taxas de desemprego que giram em torno dos 4,9% e com tendências política mais à direita.

O Borussia, representa uma cidade industrial, que sobrevive basicamente do setor de minérios, com taxas de desemprego que batem os 12,6% e de tendências políticas esquerdistas. 

A reportagem poderia, como deve ter passado para muitos despercebida, porém para esta pessoa que escreve, no mínimo soa como algo distinto e instigante o destaque dado, para as duas posições políticas de cada cidade, recaindo sobre o velho antagonismo lógico do bom e do ruim, do certo e do errado do bem e do mal, do rico e do pobre da direita e da esquerda. 

Marx a esquerda, Adam Smith a direita. Dois dos maiores expoentes dos pensamentos políticos de direita e esquerda mundial.

 Ao longo da história do futebol mundial, muitos times amadores se formaram em indústrias e bairro operários, era uma forma de acirrar a rivalidade além do campo econômico, transformando o passatempo dos trabalhadores em competição e lazer. Com o crescimento do esporte ouve a profissionalização de muitos desses clubes, o qual vieram ou não a se tornar grandes entidades esportivas, com milhares de torcedores, espalhados pelo o mundo a fora. 

A fórmula é quase que única, e se aplica a quase todos os países do mundo e seus respectivos clubes de origem operária.


fábrica X + trabalhadores da fábrica X + Bairro da fábrica X + lazer dos moradores do bairro X = TIME DE FUTEBOL X


O Jornal da Globo, destaca-se por ser um noticiário completamente distinto dos demais programas do gênero transmitidos pela emissora dos Marinhos. Primeiramente pelo horário o qual ele vai ao ar, por volta da 00:30. O tom de luz mais baixo, cenário de madeira com uma redação ao fundo, a linguagem mais rebuscada nas reportagens e análises, fazem deste programa um “filé mignon” da grade jornalística.

Todavia, uma reportagem neste jornal, que verse somente sobre a final da UEFA Champions League, não poderia vir somente acompanhada de uma apresentação dos times. 

A notícia foge da mídia convencional esportiva, onde o enfoque é dado para os atletas, treinadores, táticas e preparação.  O caráter social, econômico e político das duas cidades Alemãs foi o mais ressaltado, e dentro disso tudo, o time rico da direita é que joga mais bonito com jogadores caros e importados de outros países. O pobre da esquerda, "da Alemanha profunda dos operários" do joga com raça, composto basicamente por alemães, tendo na sua fanática torcida a sua principal força. 




Pelo histórico da Rede Globo e o tom da reportagem podemos imaginar para quem será a torcida deles, e para qual time o Galvão Bueno gritará mais forte o Gol. Eu, como pesquisador dos bairros e subúrbios operários que sou, já tenho a minha torcida, mas, isso é questão ideológica mesmo.  

Como diria um louco por aí, isso é só o que eu vejo, nada de mais!! 

Link da reportagem, Jornal da Globo, 25/05/2013
http://globotv.globo.com/globocom/liga-dos-campeoes-da-uefa/t/edicoes/v/bayern-de-munique-e-borussia-dortmund-se-enfrentam-na-final-da-liga-dos-campeoes/2595174/

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O velho, bom e moderno Brito



O recente alagamento ocorrido em alguns pontos da cidade de Rio Grande trouxe à tona um assunto que há quase 90 anos se perpetua como um dos grandes problemas a ser resolvido em nossa cidade: A rede de esgotos e o escoamento das águas das chuvas.

Rua General Vitorino esquina com a rua Francisco Marque. Fonte: Belas Imagens Rio-Grandinas
http://www.facebook.com/belas.imagens.rg?fref=ts


No final do século XIX Rio Grande crescia física e demograficamente. Dentro das demandas de uma cidade que se urbanizava de maneira contínua, a discussão quanto a rede de esgotos surgia como um importante passo para uma cidade saneada. Tamanha era repercussão desse assunto, que ele ocupava sistematicamente as páginas dos relatórios da Intendência Municipal, espaço em que se especulava e desejava tal empreendimento.

Naquele período, a questão do abastecimento de água se apresentava como o principal obstáculo a ser resolvido pelas nossas autoridades locais. A virada política no cenário nacional e a ascensão republicana ao poder, fez emergir uma série de debates higienistas e discursos modernizadores.

Para estar dentro do conceito republicano de cidade, era preciso ser uma cidade limpa, saudável e higiênica. Rio Grande estava muito distante de atingir estes conceitos, chegando a ser considerada uma das cidades mais sujas e infectas do Estado. Fazia-se mais do que necessário a elaboração de um projeto de abastecimento de água e rede de esgotos para a emergente urbe. 

A Rio Grande do início do século XX era uma cidade que vivia tempos rápidos, precisamente marcados pelos apitos das indústrias locais. Tratava-se de um local estratégico para as finanças do Estado, um centro comercial por onde entravam e saíam os mais variados produtos da economia regional e nacional. O velho porto, já não comportava a demanda de cargas e também não tinha condições de receber navios de maiores calados, o que de alguma maneira, acabava transferindo o atraque destes cargueiros para o porto vizinho de Montevidéu.

A necessidade de modernizar a cidade, ou seja, adaptá-la ao contexto ao qual estava inserida, era uma tarefa desafiadora para as autoridades locais, que se engalfinhavam em acalorados debates sobre quais seriam as melhores formas de se atender a esta demanda.
As obras de construção do Novo Porto se iniciaram em 1907, no mesmo ano, chegava à cidade – a pedido da Intendência Municipal- o famoso engenheiro sanitarista Francisco Saturnino de Brito.


O engenheiro sanitarista Francisco Saturnino de Brito

Brito, na época, era a maior autoridade do assunto saneamento no Brasil. Havia realizado os inovadores projetos de saneamento das cidades de Recife, Campos e Santos. Foi chamado à Rio Grande, para elaborar justamente um projeto de abastecimento de água e redes de esgotos.

Durante sua estadia na cidade, Saturnino de Brito, visitou diversos lugares onde poderiam ser feitas a captação de águas, constatou justamente que as águas da região eram boas, próprias para o consumo, entretanto, devido a fatores distanciais e financeiros optou pela região da antiga área destinada a Companhia Hidráulica Riograndense. 

Brito retorna para o centro do país, onde mantinha seu escritório, e o seu projeto de abastecimento de água e saneamento de Rio Grande é engavetado, por nossas autoridades, por considerarem suas idéias inovadoras demais e consequentemente, muito caras.  Para se ter uma pequena dimensão do complexo projeto desenhado por Saturnino de Brito, ele propunha uma rede doméstica com duas tubulações distintas identificáveis. A água destinada a fins não consumíveis seria retirada do Saco da Mangueira, em contrapartida, a água do consumo doméstico seria facilmente identificada pela tubulação de cobre sendo esta extraída dos poços de captação da Hidráulica. 

Passado alguns anos, Francisco Saturnino de Brito recebeu novamente uma correspondência da Intendência Municipal do Rio Grande, dessa vez o engenheiro se encontrava na cidade de Recife, Pernambuco. No entanto, a correspondência não era para comunicar o fato de que ele seria o responsável pela implantação do projeto e sim, um pedido de formal de desculpas onde era colocada a falta de verbas como o principal elemento o qual impossibilitava a realização do projeto. Todavia, neste pedido de desculpas, também existia outro pedido. O de que: Pudessem ser aproveitadas algumas de suas idéias e substituídos alguns materiais, por outros de menor preço. Brito autorizou com uma ressalva! Que fosse comunicado a ele as alterações propostas. 

As obras, agora sob a chefia do também engenheiro sanitarista Florisbello Leivas tiveram início no ano de 1918 e devido a fatores financeiros e extras - até mesmo a Primeira Guerra Mundial chegou a paralisar as obras, pois os encanamentos foram comprados na Inglaterra e se encontravam trancados no porto de Liverpool – demorou muito tempo para que houvesse a consolidação do projeto.

Em 21 de Agosto de 1923 em uma celebração regada a champagne, no salão do paço Municipal, era extinta a comissão de saneamento. As obras de abastecimento de água e rede de esgotos haviam terminado. Assim, Rio Grande se inseria no seleto grupo das cidades republicanas modernas e saneadas. 

Historicamente antigas questões emergem a partir do tempo presente e nos fazem refletir. Quase 90 anos depois, percebe-se que o advento da modernidade ainda é um assunto recorrente na provinciana Noiva do Mar, uma vez que, estamos passando por um período de investimentos locais e muitos bairros da cidade ainda carecem de um sistema de rede de esgotos. Mas, o assunto se faz atual, exatamente pelo fato de que na época de Saturnino de Brito, o projeto de abastecimento de água e esgotos visava justamente atender o centro urbano, nicho de concentração da burguesia local. A população trabalhadora, concentrada já nesse período no bairro Cidade Nova e no Cedros, assistiu ao projeto de saneamento do Rio Grande de longe, tirando água da cacimba e armazenado-a em latas e tinas. 



Rua General Vitorino. Fonte: Belas Imagens Rio-Grandinas.
http://www.facebook.com/belas.imagens.rg?fref=ts


A modernidade se fez presente no Rio Grande, para alguns poucos, que podiam pagar por ela. Saturnino de Brito havia antecipado o crescimento da cidade prevendo futuros problemas, mas nossas autoridades locais negaram-se a investir em um projeto de saneamento eficaz e inovador, optando pelo genérico, inconcluso. Hoje o que assistimos é um sistema de saneamento que está ultrapassado, necessitando ser revisado, e quem sabe, das idéias do velho bom e moderno Brito, não possam surgir novas possibilidades de um novo sistema diligente e que, acima de tudo esteja ao acesso de todos. 

terça-feira, 12 de março de 2013

As viúvas desvalidas


 A novela envolvendo a apuração dos resultados do Carnaval de Rio Grande, trouxe à tona uma série de reclamações e informações desencontradas com relação a organização deste evento. 
Como é de costume pelas terras brasilis o jogo do empurra empurra e acusações descabidas predominam no que tange a qualquer tipo de informação mais detalhada. O presidente da liga Sandro TC acusa a Prefeitura de não dar o suporte necessário, acusa o secretário de estar dormindo de ressaca, fato este que ocasionou no não recebimento das urnas e a consequente ida destas para Porto Alegre junto com os jurados. O presidente da Liga também acusa e desmente o Comandante da Brigada, enfim...
Por outro lado, a Prefeitura diz que não era seu papel estar lá para receber as urnas, que a sua única obrigação com o carnaval era referente a estrutura, o qual foi dada. 
Não é meu objetivo aqui ficar dissertando sobre essa novela, mas sim, questionar o quanto estranho está tudo isso. Após estes episódios ocorridos, começou a circular nas redes sociais uma leva de postagens com forte cunho político partidário, bombardeando a atual administração. 
 
 
O que eu vejo disso tudo?
Viúvas Brancas saudosas do poder choramingando e derramando um monte de boatos sem o menor sentido.
Acho que existe uma solução mais amigável para isso tudo, já que o PT se coligou com o PPS na Prefeitura de Rio Grande, e no Governo Federal PT e PMDB constituem a base governamental, proponho o seguinte: Dá um Cc Master Gold Ultra para o Fábio, assim ele consegue encoxar boa parte das suas viúvas desvalidas e essas "ovelhinhas" vão parar de vomitar porcaria nas redes sociais. 
Assim, o Sandro TC (Presidente da Liga Carnavalesca), filiado ao PMDB, pode continuar fazendo todas as merdas que sempre fez, pode continuar mantendo através de obscuras relações um carnaval que demonstrou toda a sua podridão, justamente quando ouve uma mudança partidária no Paço Municipal.
O Lazier Martins também mudará o seu discurso, como foi possível perceber hoje, se até o ano passado Rio Grande era a oitava maravilha, agora ela é uma cidade de desafios, o qual o novo Prefeito (ele não sabe nem pronunciar o nome) terá imensos desafios pela frente. 
Não vejo problemas, Rio Grande é uma cidade previsível, onde as tradicionais famílias lutam como abutres pelas carniças do poder. Ainda veremos muitas outros episódios deste tipo. Esse é apenas o segundo, o primeiro foram as invasões de terrenos públicos. 
E a novela segue, voltaremos!!!
OBS: As imagens utilizadas neste texto são print da tela, não edito imagem escondendo o nome das pessoas que compartilham ou postam. Quer privacidade, não cria conta em uma rede social.  

Sobre Funk, música Chorão e outras coisas II

Continuação... 
Uma breve pesquisa de campo realizada com alunos, e redes sociais (facebook e twiter) nos servem como elementos subsidiais para a construção do cenário trágico onde quero chegar. 

Como já dito antes, a morte do Chorão o colocou no patamar dos poetas da música brasileira, isso dito nas redes sociais. Particularmente considero a carreira do Charlie Brown Jr dividida em duas fases. Na primeira as musicais retratavam um cotidiano de lutas, batalhas, travadas no dia a dia e no universo de milhões de adolescentes brasileiros, as vontades de sobreviver em meio as dificuldades, o skate, as festas e mulheres. Já a segunda fase, é marcada por uma mudança nas letras que ganharam um tom mais “auto-ajuda”, onde frases simples ganharam acordes de guitarras e tornaram-se verdadeiros hinos nas vozes de muitos jovens e adultos. 

Nada de mal nisso, néééé? O que chamou atenção  é o fato Chorão ser colocado como um poeta. Bom, para quem cresceu ouvindo Legião Urbana e Cazuza, ou para os mais aprofundados leitores de Neruda, Fernando Pessoa, Drumound, Caio F. Abreu entre outros, isso deve soar um pouco como deboche ou simplesmente burrice. 

Vamos a pesquisa de campo: As mais tocadas nos porta malas dos autos e o que a nossa gurizadinha anda ouvindo: 

Clipe 1. Mc Rodolfinho Como é bom ser vida loka


Bolso esquerdo só tem peixe,
O direito ta cheio de onça,
Ai meu deus como é bom ser vida loka.

De carrão, de motona,
O bagulho te impressiona,
Ela brisa, ela olha, ela pisca, ela chora,
Só pra andar de navona,
Ai meu deus como é bom ser vida loka.

Traz bebida pras gatona,
Deixa elas malucona,
Camarote, areá vip, baladinha monstra,
Ai meu deus como é bom ser vida loka.

Final de semana, só aventura,
Fluxo também, se tem balada,
Casa lotada, se prepara que hoje tem.

E nós sai de casa pesadão,
Apavorando de carro zero,
Bate o contato com a ix35,
Acelera o camaro amarelo.

Tamo de griffe, de área vip,
Envolvido na situação,
Novo mizuno, boné da quik,
E as ice thug tampando a visão.

É o som do menor rodolfinho,
Estremecendo os coração dos fã,
O progresso de hoje,
É a garantia de amanha.

Relógio rolex, double x,
Ed hardy a firma é forte,
Chego no shopping,
Ei gerente,
Quero sair daqui todo de Oakley.

Saca o malote, joga na mesa,
Que diferença que faz uma grana,
Tá ligado, ai balconista,
Quanto que custa você na minha cama.

Vem não tem tempo ruim,
Disposição ta exalando,
Bate no radio, to disponível,
É só falar qual é o plano.

Pé no chão, consciente,
Na melhor hora nós ataca,
Imbicamo na agência,
E saímos de veloster sem placa.

Cordão de ouro no pescoço,
Ferrari dos novo nas cintura,
Qual que é o corre do menino,
É o que os bico se pergunta.

Se que saber eu vou dizer,
Joga lá no youtube,
Aproveita me faz um favor,
Compartilha esse vídeo,
Lá no Facebook.

Nóis ta pesado, mesmo sim,
Não vou negar para você,
Põe as partichola,
As cachorra adora,
E a concorrência quer morrer.

E quando o bonde passa,
Chama atenção das mais top da vila,
Ela olhou, disfarçou,
Mas depois comentou com as amigas.

Comentou tipo assim,
Esse menino ai eu caso,
Ele tem dinheiro, ele é ligeiro,
Não anda de a pé, só de moto, ou de carro.

E se as amiga pergunta,
Esse menor onde se conheceu,
Fala pra elas colar na quebrada,
Que os moleque é a mesma fita que eu.

Nossa senhora, ave maria,
Eu vou tocar o putero,
Fica a vontade na limousine,
Que eu vou fazer chuva de dinheiro.

Jogo a de 5, jogo a de 10,
Jogo a de 20, jogo as onça,
Ai meu deus como é bom ser vida loca.

Ai meu deus como é bom ser vida loca.

Clipe 2: Mc Bola. Ela é top


Deixa ela passar, não olha nem mexe..
Rá ela é terrível!

Ela não anda, ela desfila
Ela é top, capa de revista
É a mais mais, ela arrasa no look
Tira foto no espelho pra postar no Facebook

Onde ela chega rouba a cena deixa os moleque babando
Na boca do bico arruma buchicho e as invejosas xingando
Baladeira de oficio não gosta de compromisso
Encanta com seu jeitinho ela não é de ninguém mais é chegada num lancinho
Quando chega no baile ela é atração
Fica descontrolada ao som tamborzão
De vestido coladinho ela desce até o chão

Rá ela é terrível!
Ela não anda, ela desfila
Ela é top, capa de revista
É a mais mais, ela arrasa no look
Tira foto no espelho pra postar no Facebook

Deixa ela passar, deixa ela passar
Onde ela chega rouba a cena deixa os moleques babando
Na boca do bico arruma buchicho e as invejosas xingando
Baladeira de oficio não gosta de compromisso
Encanta com seu jeitinho ela não é de ninguém
Mais é chegada num lancinho

Quando chega no baile ela é atração
Fica descontrolada ao som do tamborzão
De vestido coladinho ela desce até o chão

Rá ela é terrível!
Ela não anda, ela desfila
Ela é top, capa de revista
É a mais mais, ela arrasa no look
Tira foto no espelho pra postar no Facebook

Rá ela é terrível!

Clipe:  Mc Boy do Charmes. Onde eu chego eu paro tudo


Onde eu chego eu paro tudo
A mulherada entra em pane
Meu cordão é um absurdo
Meu perfume é da Armani

De Christian ou de Oakley
De Tommy ou de Lacoste
De CB1000 da Honda
Ou de Hyundai Veloster

Querido na balada
Bem vindo no puteiro
Até que eu cheguei longe
Eu sou simples sou guerreiro

Não é imaginação
É a realidade
Já virou passado
Miséria, necessidade
Não traz felicidade
Mas afasta a tristeza
E talvez minha humildade
Seja minha maior riqueza (2x)

Pick-up cabine dupla
Jet na carroceria
Correria traz fartura
Fartura traz alegria

Festinha na cobertura
No apê no Guarujá
E o comboio nervosão
Convidei geral pra lá

Bmw, Audi Q7
Um Infinity Camaro
Nóis dá banho nas piranha
Com champanhe e do mais caro

E no meu vocabulário
Não existe economia
Nóis investe no poder
E usuflui da putaria

Não é imaginação
É a realidade
Já virou passado
Miséria, necessidade
Não traz felicidade
Mas afasta a tristeza
E talvez minha humildade
Seja minha maior riqueza (2x)


Clipe: Mc Nego do Borel. Os caras do momento


Abre espaço,pros cara do momento,
Que mete joga dentro,e faz você se apaixonar,
De Abercrombie,de Christian ou Ed Hardy,
De anel,uma Aeropostale,os cara vão pirar,babar,

Quando eu passar,com um carro da moda,uma mulher dahora,
Ai de vagabundo cobiçar,
Ela tá com o cheiro que faz os cara pensar besteira,
Tá de Victoria's Secrets,212,Carolina Herrera,

E o bonde de Tommy,Lacoste e de Oakley,
Tem a Lamborghini e a Land Rover,

Quem nasceu pra cu,nunca vai ser pica,
E uma firma pobre,faço uma firma rica,
As mulheres que eu pego,são mulher do meu bolso,
Faz amor comigo,pede pra tirar foto com meu ouro,

Abre espaço,pros cara do momento,
Que mete joga dentro,e faz você se apaixonar,
De Abercrombie,de Christian ou Ed Hardy,
De anel,uma Aeropostale,os cara vão pirar,babar,

Quando eu passar,com um carro da moda,uma mulher dahora,
Ai de vagabundo cobiçar,
Ela tá com o cheiro que faz os cara pensar besteira,
Tá de Victoria's Secrets,212,Carolina Herrera,

E Abercrombie,de Christian ou Ed Hardy,
De anel,uma Aeropostale,os cara vão pirar,babar,
Quando eu passar,com um carro da moda,uma mulher dahora,
Ai de vagabundo cobiçar,
Ela tá com o cheiro que faz os cara pensar besteira,
Tá de Victoria's Secrets,212,Carolina Herrera,

212,Carolina Herrera,
212,Carolina Herrera,

Abre espaço,pros cara do momento,
Do momento,
Do momento,
Do momento,
Do momento,
Do momento,


E para não dizer que fiquei somente no Funk, coloco aqui um sertanejo. 

Clipe 5: Israel Novaes. Vem ni mim Dodge Ram


Vem ni mim Dodge RAM
Focker duzentos e oitenta, a mulherada louca
Israel Novaes arrebenta!

Já não faz muito tempo,
Que eu andava a pé, não pegava nem gripe muito menos mulher
Só pegava poeira, não olhavam pra mim
Um dia eu decidi, eu vou sair daqui.

Quem não tem dinheiro é primo primeiro de um cachorro
O trem era tão feio que nem sobrava osso pra mim
Agora eu to mudado
O meu bolso tá cheio
Mulherada atrás
Eu quero ouvir cada vez Mais

Vem ni mim Dodge RAM
Focker duzentos e oitenta, a mulherada louca
Israel Novaes arrebenta!
Vem ni mim Dodge RAM
Focker duzentos e oitenta, a mulherada louca
Israel Novaes arrebenta!

Já não faz muito tempo que eu andava a pé
Não pegava nem gripe
Muito menos mulher
Só pegava poeira
Não olhavam pra mim
Um dia eu decidi eu vou sair daqui

Quem não tem dinheiro é primo primeiro de um cachorro
O trem era tão feio que nem sobrava osso pra mim
Agora eu to mudado o meu bolso ta cheio
Mulherada atraz eu quero ouvir cada vez mais

Vem ni mim Dodge RAM
Focker duzentos e oitenta, a mulherada louca
Israel Novaes arrebenta!
Vem ni mim Dodge RAM
Focker duzentos e oitenta, a mulherada louca
Israel Novaes arrebenta! 3x


Clipe 6: Mc. Nego Blue. É o fluxo



(Joga o dedinho pro alto...)
É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
A balada já ta garantida,
Área vip com várias meninas,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Nóis dá condição pras bandida,
As garrafa já tá garantida,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Tu vai da um rolê na R1,
Na Cayenne ou então na X1,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Se tem show do Nego Blue,
Vem que hoje é o fluxo,

Na garagem um Camaro,uma Hornet,
Cordão de Ouro,Armani e Juliet,
A fragrância do Ferrari Black,
É que hoje a noite promete,

Mandei uma mensagem lá no seu ID,
Diz que já tá pronta pra ir pro rolê,
De vestido pra enlouquecer,
E no lábio o coro vai ''cumê'',

Tá de lancha e as gata no Iate,
Paco Rabanne e no pulso Aut Breitling,
Então joga as nota pro ar,
Pode chamar que as gata vai se jogar,
(Daquele jeito)

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
A balada já ta garantida,
Área vip com várias meninas,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Nóis dá condição pras bandida,
As garrafa já tá garantida,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Tu vai da um rolê na R1,
Na Cayenne ou então na X1,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Se tem show do Nego Blue,
Vem que hoje é o fluxo,

Na garagem um Camaro,uma Hornet,
Cordão de Ouro,Armani e Juliet,
A fragrância do Ferrari Black,
É que hoje a noite promete,

Mandei uma mensagem lá no seu ID,
Diz que já tá pronta pra ir pro rolê,
De vestido pra enlouquecer,
E no lábio o coro vai ''cumê'',

Tá de lancha e as gata no Iate,
Paco Rabanne e no pulso Aut Breitling,
Então joga as nota pro ar,
Pode chamar que as gata vai se jogar,
(Daquele jeito)

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
A balada já ta garantida,
Área vip com várias meninas,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Nóis dá condição pras bandida,
As garrafa já tá garantida,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Tu vai da um rolê na R1,
Na Cayenne ou então na X1,

É O Fluxo vem,É O Fluxo vem,
Se tem show do Nego Blue,
Vem que hoje é o fluxo.

(Joga o dedinho pro alto...)

A lista é imensa e eu poderia ficar horas, dias aqui elencando uma série de músicas e clipes que não sei se vocês, teriam coragem o suficiente de arriscar preciosos minutos de suas corridas vidas para assistir. 
Eu selecionei 5 Funks e um sertanejo arrocha que considero primordial para ilustrar um pouco desse novo universo musical o qual estamos vivenciando atualmente. As letras giram todas em torno exatamente de carros, mulheres, dinheiro, roupas de grife, correntes, bebidas e sexo. Os conteúdos explorados são sempre estes, e as letras não agregam nenhum tipo de valor humano, além do consumo e condições de vida que só podem ser atingidos por pessoas de alto poder aquisitivo, justamente o contrário do público que consome estes produtos.  

Aí repousa uma questão interessante, o público alvo dessas músicas mencionadas aqui é justamente uma camada popular, que não possui condições econômicas de manter um padrão de vida igual aos clipes de funk e sertanejo, mas têm seus imaginários alimentados por situações novelísticas e vidas as quais talvez, nunca viverão.  

Tendo vista todo este cenário apresentado aqui, creio que uma pessoa que escreve letras como esta (abaixo), merece respeito e, é sim, considerado um poeta. 
O poeta de uma geração que pouco lê, que pouco sabe, que pouco se informa que possuem infinitos recursos e pouco se importam com isso tudo, pois o que realmente vale é o carro, a corrente o telefone celular e área vip da balada.  




Mas disso, só os loucos sabem.

Sobre Funk, música Chorão e outras coisas I



Sempre fui um admirador de música, independente do estilo, gênero, número ou grau, música pra mim é sentimento, independente do rótulo que carregam, na minha concepção elas sempre tem alguma coisa de bom para nos transmitir.
Existe música feita para chorar lembrando momentos da nossa vida que não voltam mais, música para relaxar, música para soltar e emanar as coisas ruins, música para sociabilizar, música para brincar, sorrir, ser criança, música para balada e música para se divertir. Neste ponto, considero aqui tudo aquilo que te faz feliz, instantaneamente, por horas, dias ou até mesmo sempre. 
Sendo assim, nunca consegui me posicionar de forma crítica ortodoxa aos estilos e gêneros musicais (exceto em uma pequena fase da minha vida que o pagode corroeu a minha mente). Mas graças a eu mesmo, consegui superar esse período obscuro de minha singela vida. Não que eu não goste mais de pagode, ainda gosto, mas digo triste, pelo fato de minha ignorância ser tamanha ao ponto de me fechar num pequeno universo musical e achar que aquilo simplesmente me bastava e não era preciso ouvir mais nada. (isso é uma merda). 
Mas enfim, isso aqui não é confissões de um ex-pagodeiro, abrindo o seu baú musical perto dos 28. Como eu disse anteriormente, música é arte, é sentimento, é criação humana e como tal, deve ser respeitado sim, independente do seu estilo. Antes de tachar um “merda, lixo”, é preciso saber que por trás de toda aquela produção existe um público destinado, uma cultura a qual abraça e consome aqueles produtos. 
Agora toda e qualquer opinião crítico destruidora que partir de pessoas que não são as consumidoras desses produtos torna-se meramente juízo de valor embasado no que tu consideras como certo/errado, bom ou ruim. 
Então, este texto se propõe a falar de música a partir de um juízo de valor meu, embasado nos próprios conceitos, preceitos, sujeitos e predicados. A morte do Chorão na semana passada, causou uma imensa comoção em todo o país, particularmente fiquei muito sentido, não era um fã de carteirinha, mas cresci ouvindo Charlie Brown Jr, desde o primeiro disco lá em 1997, o Transpiração contínua e prolongada, essa banda indiretamente fez parte de momentos da minha vida. Era e é, praticamente impossível, tu passar um dia inteiro escutando rádio e não ouvir uma música desses caras.


Enfim, a partida desse músico comoveu e o assunto dominou as redes sociais por dias. Só que, uma coisa me chamou atenção e me fez pensar sobre o andar da carruagem musical dessa juventude. 
Como professor de história, lido cotidianamente com adolescentes, crianças e adultos no meio escolar. Sendo assim sempre procuro me inteirar, sobre o que essa gurizadinha anda ouvindo, curtindo e consumindo no seu dia a dia. 
O tempo passa para todos, e a merda de ontem não é mais a mesma merda de hoje, mas o que me causa espanto é justamente o avanço de alguns hábitos os quais em minha infância/adolescência nós sequer imaginávamos existir. 
Nascido em meio a década de 1980, cresci ouvindo música em vinil, vendo os clipes dos artistas no fantástico (quando passava), a única forma de saber o que os nossos artistas preferidos estavam usando, vestindo e fazendo era através de revistas e capas de discos. 
No final da década de 1990 chegaram as Tv’s a cabo e com elas, um canal mágico chamado MTV, que rodava quase 24 horas clipes dos mais diversos artistas.  Isso, acreditem, foi uma revolução para aquela geração de adolescentes. Mudou todos os hábitos daquela gurizada, roupas, comportamentos, novos produtos a serem consumidos e também, novos ídolos.